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Como roubam a sessão do Claude sem a sua senha: auditoria de 20 minutos para blindar seu setup de IA

O Dani Geek — arte original

No fim de agosto a Anthropic avisou por e-mail um grupo de usuários que malware comum estava copiando a sessão do Claude direto do navegador e gastando a cota paga. O 2FA estava ligado e não adiantou.

O que aconteceu, com a data certa

Em 30 de agosto de 2026 a BleepingComputer reproduziu um e-mail que a Anthropic mandou para parte dos usuários do Claude. O texto abre assim: “We have recently become aware of a bad actor that is using common infostealer malware to steal Claude login sessions from people’s computers.” Não houve post público sobre o caso. Tudo o que se sabe vem desse e-mail, reproduzido pela imprensa nos dias seguintes, e da cobertura da Malwarebytes em 1º de setembro.

O malware já estava nas máquinas por outros motivos. São famílias conhecidas do mercado de credenciais roubadas: Vidar, LummaC2, StealC, RedLine e Acreed no Windows, e Atomic Stealer em um número menor de Macs. Esses programas copiam o que o navegador guarda e vendem em lotes. Alguém passou a garimpar nesses lotes especificamente os cookies do claude.ai e a usar as sessões para consumir a franquia paga da vítima enquanto ela não estava olhando.

A resposta da Anthropic: deslogou as contas afetadas, apagou o cartão salvo e reembolsou as cobranças identificadas como indevidas. A empresa também foi explícita em dizer que o malware não tem relação com o Claude nem foi instalado por ele. E deixou uma frase que resume o problema melhor do que qualquer parágrafo meu: “Signing you out of Claude stops the stolen sessions, but it doesn’t remove the malware.”

Por que o 2FA não pegou

Quando você faz login e digita o código do autenticador, o site entrega ao navegador um cookie de sessão. A partir dali, cada pedido que o navegador faz carrega esse cookie, e o servidor aceita sem perguntar mais nada. É por isso que você abre o Claude de manhã sem digitar senha de novo.

O infostealer copia o arquivo de cookies. Do ponto de vista do servidor, quem tem o cookie é você. Senha e 2FA vigiam a porta de entrada. O cookie é a chave que fica debaixo do tapete depois que a porta já foi aberta, e o ladrão nem precisou passar pela porta.

Por isso “minha senha é forte e tenho 2FA?” deixou de ser pergunta suficiente sobre o seu setup. A que pesa agora é “o que mais está rodando na máquina onde eu abro o Claude com dados de trabalho?”.

Como reconhecer

Não conte com um painel de sessões ativas para descobrir. Nenhuma das fontes descreve um painel desse tipo no claude.ai, e o sinal que a própria Anthropic citou no e-mail é outro: “If your usage limits looked like they refilled and then drained while you weren’t using Claude, this was likely the cause.”

Ou seja: a cota parece renovar e some sem você ter usado. Se isso aconteceu com você em agosto, vale desconfiar mesmo sem ter recebido o e-mail.

Os outros dois sinais são administrativos. Um e-mail da Anthropic dizendo “We recently signed you out of Claude and removed the payment method saved on your account”. E o cartão sumido da conta quando você vai olhar.

A ordem da limpeza, e por que a ordem importa

A Anthropic recomendou uma sequência no e-mail, e a sequência é a parte mais útil de tudo:

  1. Remova o malware. Varredura completa com o antimalware que você já tem, e se ele achar algo de uma dessas famílias, considere reinstalar o sistema em vez de confiar na limpeza.
  2. Proteja o e-mail: senha nova, sair de todos os outros dispositivos, 2FA ligado.
  3. Troque as senhas que estavam salvas no navegador. Todas, porque o stealer copia justamente esse cofre.
  4. Revise a fatura do cartão.
  5. Só então cadastre o cartão de novo no Claude.

O erro comum é começar pelo passo 3. Trocar a senha com o malware ainda na máquina é trocar a chave e deixar a cópia com o ladrão. O relatório de inteligência de ameaças que a Anthropic publicou em setembro descreve exatamente isso num caso relacionado: “the credential harvester continued to identify any new sessions on the device and sent them to the actor.” A pessoa fazia reset, o coletor mandava a sessão nova.

A conta que mais importa nessa lista é a do e-mail. Quem controla o seu e-mail reseta a senha de qualquer outro serviço, inclusive a do Claude. Se você tem 20 minutos e vai proteger uma coisa só, proteja essa.

O segundo vetor: “Claude barato”

O mesmo relatório de setembro conta uma história mais próxima do dia a dia de quem trabalha com essas ferramentas no Brasil. Um grupo rastreado como GTG-50021 (apelido “kl1zy”) montou sites vendendo “acesso com desconto a modelos de fronteira”. Os domínios incluíam awstore[.]cloud, kiro[.]cheap, sys-tools[.]cfd e aws-us-east-3[.]com. O que o comprador baixava era um app que imitava o Claude Code e, por baixo, coletava tokens e chaves de API da máquina.

Traduzindo para a realidade daqui: aquele “Claude Pro compartilhado, metade do preço” que aparece em grupo de Telegram, com um instalador de site que você nunca viu. A pessoa acha que economizou uns reais na assinatura e entregou token, chave de API e o que mais houver no computador.

A recomendação do relatório é seca: “AI access should be purchased only through authorized channels.” Desconto que exige rotear seu tráfego e suas credenciais por um intermediário desconhecido é um custo, e ele vem depois.

A auditoria trimestral

Tudo isso cabe numa revisão de 20 minutos com o que você já tem instalado, feita uma vez e repetida a cada trimestre.

O fio que fica solto

O e-mail da Anthropic fala de cookies do navegador. O relatório de setembro fala de tokens colhidos por instalador falso. O que nenhuma das fontes responde é o meio do caminho: o token que o Claude Code guarda no disco de quem instalou pelo canal certo tem alguma proteção a mais que o cookie do Chrome, ou é a mesma chave debaixo do mesmo tapete? É o próximo teste aqui no estúdio, e se você já mediu isso na sua máquina, a conversa está no @odanigeek no X e no Threads.

Fontes