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Claude Pro, ChatGPT Plus e DeepSeek: o que US$ 20 de IA compram em setembro de 2026

O Dani Geek — arte original

Em três dias a Anthropic e a OpenAI mudaram o que a assinatura de US$ 20 entrega. Fui ler os preços oficiais linha por linha, e a informação que decide sua escolha está no rodapé dos planos, longe do seletor de modelos.

O que mudou, com data

Em 1 de setembro de 2026 a Anthropic lançou o Claude Fable 5.1 no topo da família Claude 5, acima do Opus 5, com contexto de 1M tokens e 128K de saída. O preço de API ficou idêntico ao do Fable 5, US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 na saída. O que caiu foi a leitura de cache: de US$ 1 para US$ 0,25, uma redução de 75% (docs oficiais, anúncio).

Dois dias depois, em 3 de setembro, a OpenAI colocou o GPT-6 Astra como carro-chefe do ChatGPT. O Plus continuou em US$ 20, sem reajuste, e a empresa disse que o uso do modelo novo cabe “dentro das franquias existentes” de cada plano, com crédito adicional à venda (cobertura do 9to5Mac). Só que dentro da franquia não quer dizer dentro do chat: no Plus o Astra move o ChatGPT Work e o Codex, e a opção movida a Astra na conversa comum, o GPT-6 Pro, está em Pro, Business e Enterprise (LLM Rumors, MindStudio).

As duas empresas cercaram o topo fora dos US$ 20 no mesmo mês, com mecanismos diferentes, e é aí que a conta muda para quem paga.

São duas assinaturas e uma API paga por uso

Uma correção que vale fazer logo: a DeepSeek não entra nessa comparação como assinatura. O V4.1 Flash de “centavos” é preço de API, cobrado por milhão de tokens, e o app da DeepSeek não tem plano pago equivalente ao Claude Pro ou ao ChatGPT Plus.

O que existe são duas assinaturas de US$ 20 e uma API que você paga por uso. Se a sua rotina é abrir o chat e trabalhar, a DeepSeek só entra na história quando você tem algo automatizado chamando a API.

No Claude Pro, o topo aparece e é pré-pago

A pegadinha do mês está nos planos Claude, onde os modelos Fable seguem a regra criada com o Fable 5 e herdada pelo 5.1: no Max (e nos assentos premium de Team e Enterprise) o modelo entra sem custo extra até 50% do limite semanal. No Pro, ele roda com créditos de uso pré-pagos, cobrados na tarifa de API, ou seja, os mesmos US$ 10 e US$ 50 por milhão de tokens, fora do limite do plano (Help Center da Anthropic).

A confusão é tão previsível que virou manchete, com o Notebookcheck publicando literalmente “Claude Fable 5.1 is not included in your Pro subscription”. Sua assinatura de US$ 20 continua valendo o que valia, sem incluir o modelo do topo.

A própria documentação da Anthropic traz um detalhe que quase nenhum resumo repassa: a recomendação é começar pelo Opus 5 e só subir para o Fable quando o Opus em effort alto não resolver a tarefa.

No ChatGPT Plus, o topo está incluído, mas não onde você escreve

A OpenAI cercou o topo de outro jeito. O Astra entrou no Plus de US$ 20, no Pro de US$ 100, no Business de US$ 200 e no Enterprise, e a frase usada foi que “Astra usage is included within the existing subscription allowances”.

O que a frase esconde é a superfície. No Plus, o Astra move o ChatGPT Work e o Codex. No chat comum, aquele que você abre para escrever e resumir, a opção movida a Astra chama-se GPT-6 Pro e está em Pro, Business e Enterprise. Quem paga Plus e abre a conversa de sempre não tem o carro-chefe no seletor.

“Incluído na franquia existente” também não é ilimitado. A estimativa da OpenAI é de 5 a 45 mensagens Astra por janela de 5 horas no Plus, 25 a 225 no Pro de US$ 100 e 100 a 900 no tier de US$ 200 (LLM Rumors).

Ou seja: nenhuma das duas botou o carro-chefe no plano de US$ 20. A Anthropic cobra à parte e avisa. A OpenAI inclui em outro lugar do produto, não no chat que você abre.

A tabela que interessa: preço por milhão de tokens

ModeloEntradaSaída
Claude Fable 5.1US$ 10US$ 50
GPT-6 AstraUS$ 10US$ 50
Claude Opus 5.5US$ 4US$ 20
Claude Opus 5US$ 5US$ 25
Claude Sonnet 5US$ 2US$ 10
Claude Haiku 4.5US$ 1US$ 5
DeepSeek V4.1 Flash (fora de pico)US$ 0,15US$ 0,60
DeepSeek V4.1 Flash (pico)US$ 0,30US$ 1,20

Os valores do Claude vêm da tabela oficial da Anthropic. Os do Astra vêm da cobertura secundária (Yotta Labs, eesel), porque o post oficial da OpenAI não abriu para mim, então leia esse par como relato de terceiros. Os da DeepSeek vêm da página do modelo no OpenRouter, que é um agregador: a página de preços oficial da DeepSeek redirecionou e não devolveu a tabela.

Duas coisas saltam dessa lista. A primeira é a coincidência de preço no topo: os dois carros-chefe custam exatamente igual na API, o que na prática tira o preço da mesa como critério de escolha entre eles. A segunda é a distância até o Sonnet 5, que faz o mesmo milhão de tokens de saída por US$ 10, cinco vezes menos.

O detalhe brasileiro: o horário muda o preço

A DeepSeek cobra tarifa dinâmica por horário. Segundo o OpenRouter, o pico vai de 01h às 04h e de 06h às 10h em UTC, e nessas janelas o preço dobra. Convertendo para Brasília, UTC menos 3, o pico cai entre 22h e 01h e entre 03h e 07h.

Isso é boa notícia para quem trabalha aqui. O horário comercial brasileiro, das 9h às 18h, está inteiro fora de pico. Se você tem um batch de classificação, resumo ou enriquecimento de dados rodando de madrugada porque “é quando a máquina está livre”, você está pagando o dobro por hábito. Mova o agendamento para o meio da tarde e a conta cai pela metade sem trocar de modelo, mas confira o cronograma na fonte oficial antes de reagendar: esse horário é do OpenRouter, que é agregador.

O mesmo raciocínio vale para o cache. A leitura de cache do Fable 5.1 caiu para US$ 0,25 por milhão, e a da DeepSeek está em US$ 0,015. Em fluxo que reenvia o mesmo contexto grande a cada chamada, prompt caching e Batch mudam mais a fatura do mês do que a escolha do modelo.

O que eu faria com isso

Minha leitura, com a tabela na frente: para o trabalho de escritório que a maioria de nós faz no dia a dia (redigir, revisar, resumir reunião, extrair decisão de documento longo), o modelo do meio resolve. Opus 5 ou a geração anterior do ChatGPT dão conta, e a diferença de qualidade que você percebe raramente justifica cinco vezes o preço de saída.

Fable 5.1 e Astra se pagam em tarefa longa e agentiva, aquela em que o modelo encadeia vinte passos e um erro no passo três contamina tudo. Aí a taxa de acerto vale mais do que o token.

E se você está no Claude Pro esperando usar o Fable como usa o Sonnet, a decisão é de plano, não de modelo. Ou você compra crédito e trata cada sessão como gasto variável, ou sobe para o Max, ou aceita o conselho que está na própria documentação e fica no Opus, de olho no 5.5, que o mesmo quadro comparativo lista a US$ 4 e US$ 20, mais novo e mais barato que o Opus 5.

O que ainda não dá para afirmar

Ficaram dois buracos, e comparativo de preço que os esconde é propaganda:

Vou atrás desses três e volto com a tabela em real, incluindo o imposto, que é o número que de fato sai da sua conta.

Fio para puxar

Fica uma pergunta de arquitetura: se o topo custa igual nas duas empresas e o modelo do meio resolve a maior parte do trabalho, qual é a tarefa específica que te obriga a pagar o topo?

Eu quero saber a sua. Me conta no X ou no Threads qual tarefa quebrou no modelo do meio e passou no de cima. Se juntar exemplo suficiente, vira o próximo post, com o teste rodado nos dois e a fatura na mesa.

Fontes

NO-PHOTO: nenhuma das imagens licenciadas oferecidas é do assunto desta peça (fotos de um Opel Astra e pinturas de Claude Lorrain).